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O meu mundo num livro

A minha jornada de escrita e publicação de um livro. "Renascer dos Escombros"

O meu mundo num livro

A minha jornada de escrita e publicação de um livro. "Renascer dos Escombros"

Tempo para escrever

Olívia, 19.07.21

Quando penso nos vários autores literários que compõem a minha estante imagino-os frequentemente a escrever em locais idílicos. Calmamente sem que ninguém os interrompa. Escrevem enquanto a inspiração os ilumina e depois têm longos períodos de pausa. Imagino-os a fazerem pesquisas em bonitas bibliotecas e entrevistas a pessoas importantes para as suas histórias em charmosas casas de chá. Quando se sentem cansados ou com algum tipo de bloqueio passeiam pelas vilas ou cidades onde estão e trocam alguns dedos de conversa com os seus vizinhos e amigos. E claro, têm já a certeza de que o seu livro será editado e vendido em todo o mundo.

Depois olho-me ao espelho que é a minha vida e fico espantada. 

Trabalho das nove às seis numa loja no comércio tradicional. Mais algum tempo que dedico à contabilidade e assistência administrativa na empresa do meu marido. Dou apoio às minhas três filhas que têm cinco, treze e vinte e quatro anos, uma delas com doença mental. Tenho também a gestão da casa e os animais de companhia. Mais o ensino à distância quando é preciso. 

E, no espaço de 15 meses consegui escrever uma história com cerca de sessenta mil palavras. Como é que o consegui fazer sem descurar as minhas outras obrigações? Tive de escrever em suaves prestações diárias... nos momentos de pausa, encontrar minutos livres, às vezes apenas cinco ou dez e, nesses minutos nem inspirada estava! Roubei tempo ao Facebook e ao Instagram. Às vezes acordava mais cedo ou deitava-me mais tarde. E escrevia.

Uma palavra de cada vez. 

Mesmo quando parecia tão pouco.

De tudo o que esta pandemia me trouxe, de tudo o que passei nos isolamentos, de todas as batalhas, as incertezas, as lágrimas e a ansiedade, aquilo que mais prezo é a descoberta que fiz de mim própria, das minhas limitações, mas também das minhas capacidades. Quando há muito tempo dizia que aos quarenta anos seria uma nova pessoa jamais imaginei que a mudança fosse tão profunda. E contra todas as minhas expetativas continuo de pé, a lutar todos os dias, a fazer de tudo para seguir em frente. E as tais sessenta mil palavras escritas ninguém me pode tirar. O prazer que sinto ao vê-las impressas em simples folhas A4 encadernadas deixam-me verdadeiramente feliz.

E isso basta-me. Por agora. 

Porque eu não vou desistir. Agora que comecei não posso voltar a trás! Posso não ter uma vida idílica, posso ser interrompida a cada três palavras escritas, até posso deixar queimar o arroz uma ou outra vez para escrever só mais uma linha, mas não desisto!

 

 

 

 

 

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